Trabalhar em logística e supply chain: funções, competências e como evoluir para coordenação
O crescimento do comércio eletrónico, a pressão sobre custos e prazos e a maior complexidade das cadeias de abastecimento reforçaram a importância da logística na gestão das empresas. Para quem já trabalha em áreas como o armazém, as compras, a gestão de encomendas, o transporte ou o retalho, desenvolver uma visão mais ampla da cadeia pode abrir espaço para assumir novas responsabilidades.
Neste artigo, apresentamos as principais funções da logística e da supply chain, as competências associadas a cada nível de responsabilidade e os conhecimentos que podem apoiar a evolução para funções de coordenação. Mesmo para quem não pretende mudar de função, compreender o conjunto da operação permite tomar decisões mais informadas e colaborar melhor com outras áreas.
Operação e gestão na logísitica
Uma cadeia de abastecimento integra os processos necessários para planear, adquirir, armazenar, transportar e entregar produtos. Dependendo da empresa, pode envolver fornecedores, compras, aprovisionamento, gestão de stocks, armazém, distribuição, transporte e devoluções.
Em todas estas etapas existem tarefas operacionais e responsabilidades de gestão. A operação concentra-se na execução diária, enquanto a gestão planeia recursos, acompanha indicadores, identifica problemas e procura melhorar os processos. Não se trata de uma diferença de importância, mas do tipo de responsabilidade e das decisões envolvidas.
Nas pequenas e médias empresas, é frequente a mesma pessoa acumular tarefas de execução, acompanhamento e decisão. Quem gere encomendas pode também controlar o stock; quem compra pode acompanhar fornecedores e prazos; quem atende clientes pode identificar problemas na distribuição. Nestes contextos, desenvolver uma visão global da cadeia e competências de planeamento, análise e melhoria de processos pode ajudar o profissional a assumir responsabilidades mais abrangentes.
Cinco percursos com uma necessidade comum
As competências de logística e supply chain podem ser relevantes para profissionais com experiências muito diferentes:
- O profissional de armazém que conhece as rotinas da operação e pretende desenvolver competências de planeamento, acompanhamento de indicadores e organização de equipas;
- O profissional administrativo que gere encomendas e fornecedores e quer aprofundar conhecimentos sobre compras, aprovisionamento e abastecimento;
- O responsável por uma loja ou por um negócio de e-commerce que precisa de melhorar a gestão de stocks, entregas e devoluções;
- O profissional de compras que pretende compreender melhor o impacto das suas decisões no armazém, na tesouraria e no cliente final;
- O responsável de operações que necessita de construir e acompanhar indicadores de custos, produtividade e prazos.
Apesar das diferenças, estes perfis têm algo em comum: experiência prática que pode ser complementada com uma visão integrada da cadeia de abastecimento e com ferramentas de gestão aplicáveis à atividade profissional.
Competências importantes para funções de coordenação
A evolução para funções de coordenação depende da experiência, do contexto de cada empresa e das competências desenvolvidas ao longo do percurso profissional.
Uma das mais importantes é compreender a cadeia de abastecimento no seu conjunto. Uma decisão de compra pode afetar os níveis de stock, a utilização do armazém, a tesouraria e o serviço prestado ao cliente. Da mesma forma, um atraso de um fornecedor pode ter consequências em várias etapas da operação.
Também é necessário saber:
- Acompanhar custos, prazos, produtividade e níveis de serviço através de indicadores;
- Gerir fornecedores e stocks com método;
- Planear recursos e antecipar possíveis falhas na operação;
- Compreender o impacto do comércio eletrónico e da digitalização na gestão de encomendas, entregas e devoluções;
- Identificar problemas e propor melhorias com base em dados;
- Comunicar prioridades e articular o trabalho entre equipas e fornecedores.
Estas competências não substituem a experiência operacional. Pelo contrário, desenvolvem-se a partir dela. Quem conhece o funcionamento diário da operação pode relacionar os novos conhecimentos com situações concretas e aplicá-los de forma mais contextualizada.
Onde estas competências podem ser aplicadas
As competências de logística e supply chain são aplicáveis em empresas de diferentes setores e dimensões. Podem ser relevantes em departamentos de logística, compras, aprovisionamento e operações, bem como no retalho, no comércio eletrónico, na indústria, nos transportes, nos centros logísticos e nos operadores especializados.
Também podem apoiar o desenvolvimento de diferentes responsabilidades, desde a gestão de stocks e o planeamento até ao acompanhamento de fornecedores, à coordenação de armazém e à gestão da cadeia de abastecimento. A função desempenhada dependerá sempre da experiência, da estrutura da empresa e dos requisitos definidos para cada posição.
Para muitos profissionais, desenvolver estas competências não implica mudar de emprego ou de área. Um profissional de compras pode passar a avaliar melhor o impacto das suas decisões, um gestor de loja pode melhorar a gestão de stocks e um responsável de operações pode acompanhar o desempenho através de indicadores. A coordenação pode ser um objetivo de progressão, mas estas competências também acrescentam valor às funções que o profissional já desempenha.
Evoluir a partir da experiência
A experiência operacional pode ser um ponto de partida importante para desenvolver competências de gestão em logística e supply chain. Conhecer as rotinas, os problemas e as exigências da operação ajuda a compreender como as decisões afetam as diferentes etapas da cadeia.
A esse conhecimento podem juntar-se novas competências: analisar a cadeia de abastecimento de forma integrada, acompanhar indicadores, planear recursos, gerir stocks e fornecedores e identificar oportunidades de melhoria. Uma formação estruturada também permite organizar e aprofundar aprendizagens adquiridas ao longo da experiência profissional.
A gestão de uma cadeia de abastecimento é diferente de atividades que exigem certificações operacionais específicas, como o transporte de determinadas mercadorias ou a operação de equipamentos. Essas funções têm percursos e requisitos próprios. O foco deste artigo está nas competências de gestão aplicadas aos stocks, aos fornecedores, ao planeamento, aos indicadores e à melhoria dos processos.
Continuar a desenvolver competências em logística
Para quem já trabalha em logística, compras, operações, comércio eletrónico ou áreas relacionadas, compreender a cadeia de abastecimento no seu conjunto pode ajudar a tomar decisões mais informadas e a assumir responsabilidades mais abrangentes.
O Curso de Logística e Supply Chain Management da Deusto Formação permite desenvolver conhecimentos sobre compras, aprovisionamento, stocks, fornecedores, planeamento e distribuição. A formação foi pensada para quem pretende atualizar conhecimentos, acrescentar competências aplicáveis à sua atividade e continuar a crescer profissionalmente.
Pode interessar-te ler sobre...

